sexta-feira, março 25, 2005

Mundos Paralelos


Para lá da morte ... o infinito

O cansaço da vida tira-nos a vontade de:
Caminhar,
Pensar,
Respirar,
Ficar,
quando damos conta estamos com os outros aqui e não nos ouvem,
e com os outros além e temos uma nova forma de comunicar.
Lentamente ou numa vertigem em que apenas uma fracção de pensamento
adivinha, ...mas demasiado tarde já estamos do outro lado, mesmo aqui ao lado.
Como duas linhas paralelas em que uma vê a linha da vida onde ficou,
e a outra linha ainda do lado de cá tenta adivinhar o impossível
porque duas linhas paralelas nunca se encontram.
Os sentidos deixam de existir, apenas restam os sentimentos da alma,
é com eles que vês, ouves, sentes, cheiras, provas ... o sabor de uma nova vida.

Uma ressureição em tempo de ... te encontrares e pensares que vida há só uma,
logo devemos cada vez mais afastarmos de procrastinar.

terça-feira, março 22, 2005

Vertigem azul


Num penhasco onde o gelo e a neve são os teus companheiros de viagem
a alma conhece uma vertigem azul e os ramos das árvores esqueceram o verde.
O branco é a cor dominante, pesa nos passos que dás sobre a neve, da terra ao céu
todo o horizonte é assobiado por um vento gélido, branco que te contraria,
quase que te podes apoiar sobre ele.
A vontade de quebrar o corpo após horas de caminho e de um frio que te gela é arrebatadora.
A neve cria um manto bonito ao olhar mas desorientador ao espírito.
Numa tempestade de neve não há estradas ou caminhos que te guiem, só formas envolvidas em lençóis do mais puro branco.
A sensação de cansaço na neve torna o corpo dormente convidando-nos,
a ficar logo ali, sem mais um passo . . . desistir. No momento em que o fizeres nunca mais te levantas . . . acabarás por sucumbir.
Na vida estes momentos testam a nossa resistência física mas sobretudo psicológica.
Tens de saber alimentar o corpo e a alma.
O corpo com bebidas quentes, sobretudo não alcoólicas, porque o álcool provoca
a dilatação dos poros e cria uma falsa sensação de calor e o resultado pode ser desastroso.
Sugestão chá quente, na Ásia o chá é bebido com manteiga, algo que contradiz os paladares
ocidentais, sobretudo se a manteiga for caseira.
Frutos secos e oleaginosas, hidratos de carbono, ajudam a manter o nível de energia do corpo.
Para a alma tens :
as recordações . . . de quem amas, o abrigo da tua alma.
as recordações . . . de objectivos alcançados, se venceste ontem, saberás vencer hoje.
as recordações em antecipação . . . do momento que te espera quando chegares, à casa, ao abrigo mais próximo.
O abrigo surge a meio da montanha, o caminhar é mais vigoroso,
De tempos a tempos, um olhar para trás, ao caminho percorrido empurra-te para a frente,
Entro, o calor abraça-me, as roupas húmidas fazem-me companhia.
Acendo a lareira, ligo o rádio e o abrigo canta:


tudo numa vertigem azul.

terça-feira, março 15, 2005

O rio


No pico do Verão bem longe do litoral, entre um vale de granito um rio arrastasse, como se a preguiça fosse dona dele. Numa enseada protegida pelas copas dos pinheiros, a água tinha um tom esverdeado com reflexos metálicos em azul, de ceú em pleno Agosto. Era hora de almoço, dia de semana e a enseada riasse, com um sorriso em forma de areia transformando-a em praia fluvial quase vazia, sem as multidões de fim de semana.
Dois míudos ( entre os cinco anos) brincam perto da água tentando acertar com um ramo de salgueiro os insectos patinadores que deslizam sobre a água. As rochas arredondadas convergem para um rio com uma calma aparentemente inofensiva, mas ardilosa para as solas de dois inocentes. Os pais após um bom almoço são embalados pelo som dos guarda rios que esvoação de ramo em ramo adivinhando qual deles o mais fresco.

Apenas uma pessoa está dentro de água, os dois irmãos desafiam o equílibrio e o inevitável
acontece.
Esbracejando e engolindo água, as duas crianças tentam sobreviver. O rio aspira para o fundo do seu leito as duas crianças. A mãe grita histérica pelo nome do marido, em seguida dos filhos, o grito desesperado de uma mãe é som que o infinito conhece. Debaixo de água as crianças vão desaparecendo, num mergulho duas braçadas descendentes tento levar a esperança ás duas crianças. Mas que fazer, salvar primeiro uma e depois a outra? Em momentos destes, a velocidade é feita de puro instinto, ou não, porque entretanto os dois agarram-se ao resto de vida que vai escasseando. A opção está feita, nadar impossível, um em cada braço, uma ravina de areia para subir resvala sobre os pés. O instinto, o momento, o ar que não existe leva-nos para lá do limite.
Cá fora os pais agradecem, a mãe abraça-se aos filhos como se dela nunca tivessem saído, um grupo de jovens emigrantes goza a situação, batendo palmas e diz:"Ganda herói estás contratado para nadador salvador".
A resposta é um mergulho de novo na água onde o som exterior não existe e o silêncio me acompanha.

sexta-feira, março 11, 2005

Verão no Inverno


Fui recordar os passos
que deixámos na praia, apenas duas cadeiras.
Sentei-me e olhei o vazio que a meu lado crescia.
Uma gaivota disse-me que tinhas partido,
por instantes imaginei
todo o calor que o vento levou,
todas as cigarras que a areia calou.


Apenas o mar incessante não pára de nos chamar.
Acedi ao apelo,
entrei mar a dentro e fui
nadar,
pensar,
voar,
dentro de água os movimentos oscilantes projectam silêncios borbulhantes,
que nos fazem anciar por um pouco de ar.
Regresso mergulhando.
Vou passar o fim de semana no fundo do mar.

terça-feira, março 08, 2005

Procurei-Vos



Agora que Vocês foram embora, ora voando, ora nadando,
a gaivota do "Outra de Mim" (outrademim.blogs.sapo.pt) e as sereias do "Aromas do Mar" (aromasdomar.blogspot.com) levaram o Ceú e o Mar,
resta apenas a Terra, sinto-a seca e rasgada,
com mil bocas clamando por Vocês,

vejo-Vos naquele local onde existe apenas
o vazio, o nada, o só.
Este lar virtual que Vos sirva de abrigo SEMPRE.
Lá longe onde as memórias são esquecidas,
onde eu nada sou, que o vento seja lesto e a
lua generosa para Vos trazer até mim,
...já não peço a Vossa presença, nem a Vossa alma,
apenas quero umas gotas do Vosso coração
quando o sentimento diz não à razão.
Eu sei que tudo tem um princípio e um fim,
mas não encontro melhor despedida do que :

sexta-feira, março 04, 2005

Sentimento de si


Por entre risos e choros
vamos descobrindo novos mundos,
até á idade em que temos consciência de nós.

Afinal evoluímos ...por entre diferentes formas, feitios
estímulos externos ao nosso ser.
Afinal o que é pensar ?
Como pensamos ?
Existem 3 tipos de raciocínio
Analítico ...Lógico ...Sintéctico
tudo o que pensas se resume a este
pequeno conjunto.
Quando olhas uma criança que de forma descoordenada
pega num brinquedo aquilo que ele está fazer é analisar, a
construir na sua cabeça uma imagem do que tem na mão.
Quando lês um texto, estás a tentar descobrir padrões
dentro do teu próprio cérebro face ao que estás a ler.
Aqui tens o raciocíno analítico.
Sempre que fazes uma comparação entre duas coisas, factos,
sempre que tentas encontrar relacionamento entre elas estás a
aplicar o raciocíno lógico.
No final de uma leitura, de um filme, de uma história ...aquilo que consegues
dizer, escrever, falar sobre o que analisaste é o raciocínio sintéctico.

A tempestade no meio disto tudo são os sentimentos,
o sentimento de si ... para si, para os outros, para o mundo.


Francisco Teixeira — A Propósito de “O Sentimento de Si” (Ou O Erro de Damásio)

"O Sentimento de Si, de António Damásio, tem como objectivo esclarecer não só o problema da construção da consciência mas também, e sobretudo, o problema da consciência da consciência, ou seja, da autoconsciência, do si. Para alcançar este desiderato Damásio constrói uma maioria de argumentos de base empírica e uns poucos de base lógico‑filosófica, os quais o autor do artigo crê serem decisivos para a argumentação aí desenvolvida. O artigo pretende estabelecer, por um lado, o percurso dos principais argumentos lógico­filosóficos de Damásio relativamente à emergên­cia do si e, por outro, apresentar aquilo que julga serem as dificuldades desse percurso. Essas dificuldades prendem‑se, sobretudo, com o erro do mentalismo, na medida em que se ignora tudo o que foi dito sobre o mentalismo pelo segundo Wittgenstein. Em alternativa ao mentalismo (quase) cartesiano de Damásio, o autor do artigo defende que a compreensão do si poderá ser melhor apreendida através do paradigma autopoiético de Humberto Maturana e Francisco Varela."
De Francisco Teixeira — A Propósito de “O Sentimento de Si” (Ou O Erro de Damásio)


"Os Sentimentos Confundem-se com o Princípio da Consciência"
Por ANDRÉ BARATA
(in Público, Domingo 2 de Novembro de 2003)

Numa conversa em torno do seu último livro "Ao Encontro de Espinosa", António Damásio explica como interpreta a maneira como pensamos a relação entre os nossos sentimentos e as nossas emoções, responde a críticos e aponta o muito que falta fazer na investigação do problema mente/corpo. Diz ainda que a compreensão dos conflitos internacionais pode ser melhorada "se houver uma compreensão mais correcta do que sepassa no mundo das emoções."
...
Como é possível fazer ciência de algo tão íntimo como as emoções e os sentimentos?
R.: Eu diria que é possível da mesma forma que é possível fazer ciência sobre
linguagem, sobre memória, sobre a atenção, sobre todo e qualquer aspecto da mente. As
emoções e os sentimentos não são nem mais nem menos íntimos do que os pensamentos
em geral. Assim que se dá um cariz mais íntimo, isso deve-se ao facto de que estão
muitas vezes ligados a objectos que o são, mas não elas próprias. A emoção em si
mesma é um aspecto biológico do organismo.
...

P.: E o que é a emoção?
R.: É uma reacção automática que é colocada como dispositivo nos seres vivos,
humanos ou não humanos, e que permite responder a certos objectos e a certas situações
de uma forma não deliberada, de uma forma que vai levar ou à defesa perante uma
ameaça ou à utilização de uma oportunidade. Esta é a definição mais estreita que posso
dar de emoção.

Dessa forma, não seria dispensável haver sentimentos? Não bastaria haver emoções?
R.: Os sentimentos só seriam dispensáveis se fôssemos ratos ou esquilos, ou seja, seriam
dispensáveis, se vivêssemos num mundo extremamente simples em que a regulação
básica fosse perfeitamente adaptada ao habitat. Ora, o habitat em que nós vivemos é do
ponto de vista social e cultural extremamente complexo.
...
Os sentimentos fazem a transposição do mundo da regulação automática para o mundo da regulação deliberada. Os sentimentos confundem-se com o princípio da consciência. Confundem-se, pois, com a possibilidade, não só de ter uma reacção automática, mas de saber que se tem essa reacção, e poder a partir daí construir conhecimentos e sintonizar essa reacção com determinados objectivos. Portanto, os sentimentos são indispensáveis para se conseguir criar um espaço de livre-arbítrio, que temos (isso é qualquer coisa que nos caracteriza humanamente), embora não tenhamos um enorme espaço de manobra; são indispensáveis para se conseguir deliberar, para se conseguir concluir "não devo matar".

Não tem nenhuma pista para o problema mente/corpo?
R.: O ponto final da investigação é saber como é que as descrições que estamos a fazer a
nível neural vão passar para o nível mental. Mas este é um ponto em que temos de ser
extremamente modestos. A única maneira de chegarmos algum dia a descobrir isso -
que pode ser daqui a 10 anos ou daqui a 500 anos - é admitirmos que não sabemos.
Neste ponto, eu tenho dois tipos de problemas. Primeiro, com as pessoas que julgam
que já se sabe, mas é evidente que não se sabe. E tenho problemas com pessoas, como é
o caso de McGinn, que dizem que nunca se vai saber.

quinta-feira, março 03, 2005

3 de Março ...a passagem


O mundo é visitado por uma diversidade enorme de seres humanos.
Um relatório da Nações Unidas constatava que já em 1999 a população mundial era de 6 biliões de pessoas.Em 2050 existirão 10 biliões de pessoas neste planeta, provavelmente alguns já habitaram a Lua, mas em fase esperimental. Estamos a falar em BILIÕES.
Segundo os antropologistas aparecemos há 3 milhões de anos, o nosso passado como caçadores representava uma população de cerca de 10 milhões de seres humanos. A agricultura permitiu que aparecessem as primeiras comunidades e foi um passo para que surgissem mais pessoas. No ano I depois de Cristo eramos 300 milhões. No século XVIII eramos 750 milhões e no século XIX atingimos 1 Bilião.
Mas nunca como no século XX a população cresceu tanto. A descoberta do genoma humano vai possibilitar um incremento da esperança de vida, o controle do envelhecimento celular, a manipulação genética e os problemas éticos que isso acarreta. Num futuro muito próximo (10 anos) até as caracteristicas da personalidade poderão ser programadas genéticamente, óbviamente que as físicas também. Aqui podem ver um pequeno gráfico elucidativo do crescimento populacional:



Deixo aqui algumas questões e aguardo pelas Vossas reflexões/questões:
Quantas almas passaram por este planeta, é em vão a passagem ?
Será que o meu mundo não é cada vez mais o NOSSO mundo ?
O impacto ambiental é ou não uma realidade gritante ?
Que recursos naturais ficarão para os que nascem hoje ?
A água será o bem mais precioso do nosso planeta, um facto.
Com 10 biliões de seres humanos que qualidade de vida teremos ?

Quanto vale uma vida hoje ? E amanhã ?


Ao longo da História houve sempre pessoas que se destacaram, pelo impacto que causaram na Humanidade. Hoje 3 de Março, faz um ano, que uma alma deixou de brilhar neste planeta e descansa em paz. A sua passagem influenciou sempre de forma positiva a comunidade onde interviu, foi sobretudo uma educadora, onde transmitiu principios que estão acima de qualquer religião, porque para sermos Humanos ... temos de por alma naquilo que fazemos.

A quem por aqui passou e leu este alerta, esta memória, gostaria de enviar um
pensamento:
Põe um sorriso naquilo que fazes, eu sei que há dias ...de stress, de raiva, que tudo corre mal.
Mas pára um pouco e reflecte inspirando. Levar a Vida em frente, é marcar objectivos, é ajudar os outros, é concretizar os nossos objectivos sem passar por cima de ninguém. Vamos olhar mais em frente e menos para o nosso umbigo, acabar com essa mania tão portuguesa de olhar para o que os outros têm.
Em jeito de aviso:
Os nossos antepassados eram caçadores, deslocavam-se vários quilometros todos os dias, e nós ?
A sua alimentação era 100% natural e a nossa ?
Dormiamos de noite e trabalhavamos durante o dia, hoje divertimo-nos de noite e arrastamo-nos de dia.
A solução chama-se EQUILíBRIO em tudo o que fazemos.