sexta-feira, março 04, 2005

Sentimento de si


Por entre risos e choros
vamos descobrindo novos mundos,
até á idade em que temos consciência de nós.

Afinal evoluímos ...por entre diferentes formas, feitios
estímulos externos ao nosso ser.
Afinal o que é pensar ?
Como pensamos ?
Existem 3 tipos de raciocínio
Analítico ...Lógico ...Sintéctico
tudo o que pensas se resume a este
pequeno conjunto.
Quando olhas uma criança que de forma descoordenada
pega num brinquedo aquilo que ele está fazer é analisar, a
construir na sua cabeça uma imagem do que tem na mão.
Quando lês um texto, estás a tentar descobrir padrões
dentro do teu próprio cérebro face ao que estás a ler.
Aqui tens o raciocíno analítico.
Sempre que fazes uma comparação entre duas coisas, factos,
sempre que tentas encontrar relacionamento entre elas estás a
aplicar o raciocíno lógico.
No final de uma leitura, de um filme, de uma história ...aquilo que consegues
dizer, escrever, falar sobre o que analisaste é o raciocínio sintéctico.

A tempestade no meio disto tudo são os sentimentos,
o sentimento de si ... para si, para os outros, para o mundo.


Francisco Teixeira — A Propósito de “O Sentimento de Si” (Ou O Erro de Damásio)

"O Sentimento de Si, de António Damásio, tem como objectivo esclarecer não só o problema da construção da consciência mas também, e sobretudo, o problema da consciência da consciência, ou seja, da autoconsciência, do si. Para alcançar este desiderato Damásio constrói uma maioria de argumentos de base empírica e uns poucos de base lógico‑filosófica, os quais o autor do artigo crê serem decisivos para a argumentação aí desenvolvida. O artigo pretende estabelecer, por um lado, o percurso dos principais argumentos lógico­filosóficos de Damásio relativamente à emergên­cia do si e, por outro, apresentar aquilo que julga serem as dificuldades desse percurso. Essas dificuldades prendem‑se, sobretudo, com o erro do mentalismo, na medida em que se ignora tudo o que foi dito sobre o mentalismo pelo segundo Wittgenstein. Em alternativa ao mentalismo (quase) cartesiano de Damásio, o autor do artigo defende que a compreensão do si poderá ser melhor apreendida através do paradigma autopoiético de Humberto Maturana e Francisco Varela."
De Francisco Teixeira — A Propósito de “O Sentimento de Si” (Ou O Erro de Damásio)


"Os Sentimentos Confundem-se com o Princípio da Consciência"
Por ANDRÉ BARATA
(in Público, Domingo 2 de Novembro de 2003)

Numa conversa em torno do seu último livro "Ao Encontro de Espinosa", António Damásio explica como interpreta a maneira como pensamos a relação entre os nossos sentimentos e as nossas emoções, responde a críticos e aponta o muito que falta fazer na investigação do problema mente/corpo. Diz ainda que a compreensão dos conflitos internacionais pode ser melhorada "se houver uma compreensão mais correcta do que sepassa no mundo das emoções."
...
Como é possível fazer ciência de algo tão íntimo como as emoções e os sentimentos?
R.: Eu diria que é possível da mesma forma que é possível fazer ciência sobre
linguagem, sobre memória, sobre a atenção, sobre todo e qualquer aspecto da mente. As
emoções e os sentimentos não são nem mais nem menos íntimos do que os pensamentos
em geral. Assim que se dá um cariz mais íntimo, isso deve-se ao facto de que estão
muitas vezes ligados a objectos que o são, mas não elas próprias. A emoção em si
mesma é um aspecto biológico do organismo.
...

P.: E o que é a emoção?
R.: É uma reacção automática que é colocada como dispositivo nos seres vivos,
humanos ou não humanos, e que permite responder a certos objectos e a certas situações
de uma forma não deliberada, de uma forma que vai levar ou à defesa perante uma
ameaça ou à utilização de uma oportunidade. Esta é a definição mais estreita que posso
dar de emoção.

Dessa forma, não seria dispensável haver sentimentos? Não bastaria haver emoções?
R.: Os sentimentos só seriam dispensáveis se fôssemos ratos ou esquilos, ou seja, seriam
dispensáveis, se vivêssemos num mundo extremamente simples em que a regulação
básica fosse perfeitamente adaptada ao habitat. Ora, o habitat em que nós vivemos é do
ponto de vista social e cultural extremamente complexo.
...
Os sentimentos fazem a transposição do mundo da regulação automática para o mundo da regulação deliberada. Os sentimentos confundem-se com o princípio da consciência. Confundem-se, pois, com a possibilidade, não só de ter uma reacção automática, mas de saber que se tem essa reacção, e poder a partir daí construir conhecimentos e sintonizar essa reacção com determinados objectivos. Portanto, os sentimentos são indispensáveis para se conseguir criar um espaço de livre-arbítrio, que temos (isso é qualquer coisa que nos caracteriza humanamente), embora não tenhamos um enorme espaço de manobra; são indispensáveis para se conseguir deliberar, para se conseguir concluir "não devo matar".

Não tem nenhuma pista para o problema mente/corpo?
R.: O ponto final da investigação é saber como é que as descrições que estamos a fazer a
nível neural vão passar para o nível mental. Mas este é um ponto em que temos de ser
extremamente modestos. A única maneira de chegarmos algum dia a descobrir isso -
que pode ser daqui a 10 anos ou daqui a 500 anos - é admitirmos que não sabemos.
Neste ponto, eu tenho dois tipos de problemas. Primeiro, com as pessoas que julgam
que já se sabe, mas é evidente que não se sabe. E tenho problemas com pessoas, como é
o caso de McGinn, que dizem que nunca se vai saber.

10 Comments:

Blogger soldeinverno said...

"P.: E o que é a emoção?
R.: É uma reacção automática que é colocada como dispositivo nos seres vivos,
humanos ou não humanos, e que permite responder a certos objectos e a certas situações
de uma forma não deliberada, de uma forma que vai levar ou à defesa perante uma
ameaça ou à utilização de uma oportunidade. Esta é a definição mais estreita que posso
dar de emoção."

Emoção é a reacção espontânea que ocorre no nosso corpo quando somos confrontados com uma lágrima, com um sorriso, com uma criança, com uma mãe, com uma alegria, com uma desilusão, com um encontro ou reencontro, com uma despedida sofrida, com dor, ou sem ela,... quando somos confrontados com a vida... Jinhuz... adorei

4:46 da tarde  
Anonymous Lina (Mar Revolto) said...

Olá Luis;

Estou de saída da blogosfera, mas não dos espaços onde repousei muitas vezes com prazer e onde pretendo repousar outras tantas.
Bom fim de semana
Beijo

6:58 da tarde  
Blogger Estrela do mar said...

...Luis...hoje não tenho disposição para grandes leituras...são dias...mas hei-de voltar para reler este texto...que me parece bastante interessante...

Um beijinho* e um bom fim de semana.

7:04 da tarde  
Blogger Hipatia said...

Leste Kuhn?

Para mim, nunca há respostas simples. Apenas maneiras de pensar em dado momento :)

10:27 da tarde  
Blogger alfinete de peito said...

O sentimento de si... é algo que não tem defenição pois para que tal aconteça necessitamos de delimitar algo que não é tangivel, preciso, imutável.
O sentimento de si é moldável, de causalidade circular, passivel de mutação, corrigivel e reciclável.
O sentimento de si...para tê-lo há que identificá-lo, e isso implica a tal auto-consciência... ou será meta-consciência?

Que blog formidável!

7:48 da tarde  
Anonymous marlenedietrich said...

Vim,vi, gostei...
Voltarei, algum dia, quem sabe...
Para já virtual, amanhã, bem, amanhã...

12:53 da manhã  
Blogger Selma said...

Adorei ler-te... ler as construções e as desconstruções que fizeste.

Obrigado pelo mail, não ficou esquecido, quando tiver um pedaço de tempo respondo-te. Beijinhos grandes

9:39 da tarde  
Anonymous fairy_morgaine said...

:) found u
este post diz-me muito. o sentimento de si é um dos mistérios mais complexos da humanidade.
a arte por vezes tenta capturá-lo. talvez a ciência um dia o explique.
beijo

5:17 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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3:12 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Keep up the good work »

1:03 da manhã  

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