quinta-feira, maio 12, 2005

Não foi numa sexta-feira 13


O último ano do liceu chegava ao fim, a viagem de curso há muito programada tinha agora inicio, tudo corria bem para a Ana dezoito anos, miúda invulgarmente bonita, olhos azuis, cabelos louros compridos um tom de pele branco e sedoso. Os miúdos olhavam para ela com um olhar “guloso” ela trazia nos olhos o gosto pela velocidade, pelo desconhecido, pela aventura. O namorado era exactamente o oposto, feitio pacato, pessoa calma e cuja vida corre com a calma que as aldeias têm. Ana vivia nos arredores da cidade, gostava de “brincar” com a troca de olhares que os colegas lhe faziam, ás vezes até um pouco mais. Foi essa a razão do arrufo que tinha tido com o namorado, bem mas agora a sua cabeça estava povoada de alegria, novas paisagens, novas amizades … enfim uns dias fora da monotonia … um novo mundo por descobrir.
O destino da viagem de fim de curso era Benidorm.

Depois de uma viagem longa e repleta de canções e boa disposição chegaram finalmente ao hotel. A malta estava desejosa por dar uns mergulhos, beber unas cervezas e dar uma volta de reconhecimento. O tempo voava, tudo acontecia de uma forma divertida, quando deram conta estavam no restaurante do Pablo a jantar. O álcool invadia as veias e os fumos etéreos eram atirados ar por queixos em que a afirmação pessoal e o estilo de ter uma presença em grupo é uma realidade da juventude. Ana tinha bebido pouco, no entanto sentia-se desinibida e o objectivo era divertir-se. No restaurante Xavier não tirava os olhos de Ana, fez questão de ir servir a mesa onde o grupo se encontrava. Nos olhos de Ana viu uma porta aberta e resolveu entrar. Depois de uma pequena conversa em que o sorriso de ambos fazia adivinhar …momentos futuros, Xavier combinou discretamente com Ana um encontro no quarto de hotel.
O grupo passou no hotel para apanhar uns agasalhos e foi aí que Ana teve uma enxaqueca que a reteve no quarto. As colegas ainda insistiram, Luísa a sua amiga ainda sugeriu ficar, mas Ana disse que ia descansar e se ficasse melhor iria ter com eles.
Passavam poucos minutos das 22:00 quando Ana ouviu a porta do seu quarto bater, um misto de ansiedade e receio fê-la andar ás voltas entre a cama e o quarto de banho a recompor objectos irremediavelmente arrumados. Antes de agarrar a pega da porta deu um jeito ao cabelo e avançou com um sorriso predefinido. O sorriso congelou-se no tempo de tal forma que nunca mais voltou a ser o mesmo. Xavier tinha regressado com …mais dois amigos …ao princípio a separação entre a diversão e apreensão era feita por um misto de surpresa e desilusão. Xavier agarrou-a pelos braços, Ana soltou um grito e instintivamente avançou para fora do quarto, passou pelos outros dois e o seu olhar fixou-se no andar do elevador, 6º andar, ela estava no 3º, Xavier e os colegas não perderam tempo avançaram para ela determinados. Xavier tinha tudo controlado um dos seus colegas era recepcionista no hotel sabia que aquela ala estava vazia, era agora ou nunca, avançou. Ana desesperada primeiro encostou-se à primeira porta do quarto seguinte, tentou abrir mas sem efeito, correu desesperada até ao fundo do corredor e abriu a porta que dava para as escadas de incêndio. Xavier numa linguagem mais agressiva tentou agarrá-la, vendo-a a escapar saltou para o lance imediatamente abaixo, barrando-lhe o caminho. Ana estava sem fuga possível, em cima os outros dois, em baixo Xavier … num ímpeto de desespero saltou as escadas de incêndio da mesma forma que tinha visto ao Xavier, no entanto o pouco álcool que bebera, a adrenalina da situação …empurrou-a para o desespero de uma queda do 3º andar … ainda tentou agarrar-se a um corrimão mas a gravidade obrigava o seu corpo a uma aceleração terrível …de repente sentiu um impacto …quente, vozes a fugirem, tentou a agarrar a realidade fosse ela qual fosse …o vazio surgiu.

Ana seria socorrida e levada para um hospital onde permaneceu 4 meses, acordou ao fim de 3, ao lado da mãe cujo calvário tinha começado. Ana, depois de 6 operações de reconstrução facial, e outras cirurgias ficou tetraplégica, agarrou-se à vida com todas as forças que tinha, o desespero assola-lhe a mente, irrita-se sobretudo com a mãe que deixou de trabalhar para viver para a filha.
Ana ainda vai à praia …

11 Comments:

Blogger Um Olhar Sobre... said...

Infelizmente Luis, episódios destes acontecem todos os dias, num mundo que se diz avançado em pleno século XXI.
Um beijo

5:06 da tarde  
Blogger Um Olhar Sobre... said...

Não desisto não!
Já te enviei um mail!
beijo

5:21 da tarde  
Blogger Mª João said...

Olá, Luís D.
Pois é, a vida às vezes prega-nos cada partida...

um beijo

12:29 da tarde  
Blogger Vera Cymbron said...

Bem...ainda não recebi respostas...mas estou com medo de nunca as ter...mandei para 3 apenas...por e-mail. Não sei.
Mas tu foste um querido e ajudaste muito, pelo menos apoiaste esta escritora sem livro algum...
Jinhos

8:35 da tarde  
Blogger Ana said...

q historia triste mas tao real luis. A verdade e que nesta idade (e digo-o porque tb sou uma ana c quase 18anos, mas n sou nem invulgarmente bonita nem loira ahah)parece dificil medir-se o perigo e vejo tantas miudas cairem no mesmo erro da ana abrindo as portas (do seu olhar) a um desconhecido.
Graças a Deus nunca me iludi assim, talvez a timidez nao o permita, o coraçao por vezes...a razao?
gostei deste episodio tao veridico luis*

6:43 da tarde  
Blogger Cassiopeia said...

Independentemente da verosimilhança, espero que seja apenas um episódio ficcional.
Beijo

3:52 da tarde  
Anonymous fairy_morgaine said...

essa estória(his?) doeu-me

7:01 da tarde  
Blogger indie girl said...

estou toda arrepiada...é incrivel pensar mas também nos pode akontecer a nós..bj

3:10 da tarde  
Blogger Fane said...

Oi Luís...
Confesso que fiquei presa a um silêncio…
Nunca fui de arriscar pelo simples prazer da loucura, mas dá que pensar...

jinhos

4:48 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

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12:43 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

best regards, nice info »

2:17 da tarde  

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